A Diretora Geral da Faculdade Senac é entrevistada e destaque do Informativo Literário Mensal “Correio do Pajeú”.

Esta postagem foi publicada em 10 de dezembro de 2013

Institucional; 10.12.2013
A Diretora Geral da Faculdade Senac é entrevistada e destaque do Informativo Literário Mensal “Correio do Pajeú”.

CP: Correio do Pajeú: Quem é Terezinha Ferraz e como se descreveria como cidadã e profissional da educação?

Terezinha Ferraz: É esposa de Assis Nunes, mãe de Francisco e de Soraya, avó de dois lindos netos, Guilherme e Gabriel e sogra de Júlio que foi acolhido como mais um filho. Esses são seus grandes amores e tesouros. É Serratalhadense com muito orgulho; Profissional apaixonada e estudiosa da educação, concluiu o Doutorado em Educação pela UFPE; Cristã e feliz por opção.

CP: A senhora é diretora da Faculdade do SENAC, em Recife. Como é ser diretora de uma Instituição de Ensino Superior (IES) tão conceituada?

Terezinha Ferraz: Entendo que o exercício profissional constitui, também, exercício de cidadania. Esta consciência, aliada ao compromisso com a educação nacional, de início, já me permitem encontrar na função que desempenho uma forma de realização pessoal, profissional, política, social entre outras. Sem dúvida, contribuir com o desenvolvimento de pessoas, da sociedade e do Estado, por si só, constitui desafio diário, que enfrento de forma compartilhada com uma equipe “de primeira linha”. Posso dizer, sem ufanismo, que estar à frente da administração da Faculdade Senac Pernambuco permite sentir um saudável orgulho, especialmente quando se tem como Mantenedora o Senac Pernambuco, sob a liderança do prof. Josias Silva de Albuquerque: um grande empreendedor, comprometido com a educação e com o desenvolvimento do Estado.

CP: Quais os cursos que a Faculdade SENAC Oferece?

Terezinha Ferraz: A implantação da Faculdade Senac é, relativamente, recente e, até o término da construção de sua Nova Sede permanece utilizando os espaços do Senac, o que restringe a possibilidade de se ampliar muito a oferta. Neste Vestibular para 2014.1 a faculdade disponibiliza vagas para os cursos de Bacharelado em Administração; Superior de Tecnologia em Gastronomia; Superior de Tecnologia em Eventos; Superior de Tecnologia em Design de Moda. Quanto aos cursos de pós-graduação, a faculdade disponibiliza um portfólio diversificado. No momento, encontram-se em execução os cursos de Produção de Moda e Styling; Gestão da Gastronomia; Gestão de Negócios; Docência no Ensino Superior; Produção e Gerenciamento de Eventos. Disponibiliza, também, um amplo e variado portfólio de cursos de extensão, sempre renovado e adequado às demandas dos trabalhadores e empresários.

CP: Quais as maiores vantagens para um aluno que faz um curso superior no SENAC?

Terezinha Ferraz: Ao fazer um curso superior na Faculdade Senac o egresso está abalizado pelo “know-how” do Sistema Senac em preparar profissionais competentes e alinhados às exigências do trabalho cidadão. É ser portador de diploma de uma IES com reconhecimento social, referendada pelos empresários do comércio, que dispõe de um Projeto Pedagógico focalizado no desenvolvimento integral dos estudantes e do seu Estado, com professores bem preparados, além de ser bem avaliada pelo MEC. Esses benefícios dispensam outros comentários e constituem grande diferencial que agrega valor à formação dos trabalhadores.

CP: Como a senhora analisa a realidade da educação brasileira?

Terezinha Ferraz: É uma realidade contraditória, preocupante e está a requerer grande atenção. As estatísticas mostram um significativo aumento do número de IES, de cursos e de alunos nesse nível de educação. Para ilustrar, dados extraídos do Censo do Ensino Superior mostram que em 2001 o país contava com 1.391 IES, e em 2012 atingiu 2.416 instituições, das quais 2.112 pertenciam ao setor privado. Também em 2012, dos 7.037.688 alunos matriculados no ensino superior, 5.140.312 estavam matriculados nas instituições privadas. Essa grande concentração de alunos nas IES privadas leva a crer que o sonho da democratização da educação superior está distante de ocorrer. Em que pese essa ampliação, ainda persiste grande “descompasso” entre os ingressantes e a permanência desses alunos nas IES. Hoje o Brasil ocupa o lugar de 6ª economia do mundo, com recursos suficientes para assegurar bom nível de educação e qualidade de vida aos brasileiros. No entanto, estudo realizado pela Unesco mostra que, entre 127 país avaliados, o Brasil ocupa a posição de 88º lugar no ranking mundial da educação, onde o sistema educacional foi posicionado em 105º lugar, levando a crer que ocorreu um crescimento desordenado e não qualificado.

CP: A Senhora poderia destacar alguns fatores que têm contribuído para montar esse cenário?

Terezinha Ferraz: Os fatores são vários e diversos, difíceis de serem enumerados em pouco espaço. Aqui opto por citar as políticas de educação destinadas ao ensino superior, que retratam um conjunto de intenções ou discursos que não atingem o foco do problema, tampouco respondem às expectativas e necessidades da maioria de jovens que sonha em ter acesso a esse nível de educação. Nesse conjunto de “intenções”, o Projeto de Lei que cria o Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar de 2011 a 2020, permanece no Congresso sem aprovação. Há deficiência na formação inicial dos professores e uma relativa ausência de investimento em formação continuada, com implicações na formação dos estudantes. A desvalorização da profissão está presente nos baixos salários que submetem os professores a trabalharem em várias instituições; no status social da profissão; nas salas de aula superlotadas; na estrutura física e nos materiais didáticos inadequados e/ou insuficientes; nos alunos com déficit de aprendizagem; na relação conflituosa entre aluno professor, família-escola, razões estas suficientes para tornar a profissão de professor sem atrativos.

CP: O novo sistema de cotas proposto pelo Ministério da Educação prevê 50% das vagas nas universidades públicas para alunos provenientes do ensino público. Esse evento é positivo ou negativo para o ensino do Brasil?

Terezinha Ferraz: Entendo que as políticas afirmativas, por si só, não resolvem os problemas de exclusão, descriminação e das desigualdades sociais. O Sistema de cotas sugere a ampliação de oportunidades de igualdade para pessoas discriminadas, cuja justificativa pauta-se na dívida histórica que o país tem com os afrodescendentes, índios e com o acesso de estudantes de escolas públicas às universidades públicas. É bom lembrar que as políticas afirmativas também são conquistas advindas das lutas sociais, ou seja, não se trata de pura concessão do Estado. Realmente, ainda se convive com o preconceito, onde a cor da pele favorece as chances de trabalho e de educação. Estudos acadêmicos indicam que, após a implantação da política de cotas houve aumento de acesso à educação superior da população afrodescendente, assim como dos estudantes oriundos de escolas públicas. Dessa forma, entendo a política de cotas como uma alternativa provisória, que precisa estar atrelada a outras políticas imperiosas, especialmente que assegurem qualidade à formação dos trabalhadores. O problema é que, geralmente, as políticas afirmativas sofrem influências político-ideológicas que distorcem suas finalidades.

CP: De que maneira os diretores das faculdades do Brasil podem contribuir para a melhoria da qualidade da educação?

Terezinha Ferraz: Diante das inúmeras dificuldades, algumas já comentadas nesta entrevista, os dirigentes enfrentam vários outros desafios tais como os altos índices de evasão e de inadimplência, competição interinstitucional acirrada, aquisições e fusões de “empresas educacionais” como negócio lucrativo etc. A despeito das dificuldades, é imperativo assegurar as reais finalidades sociais de uma IES. Neste sentido, evidenciamos, entre tantas outras, a responsabilidade de promover educação crítica e de qualidade, a investigação científica e produção de conhecimentos úteis à formação integral do ser humano, ao desenvolvimento da sociedade e do país, tendo como referência o tripé que orienta esse nível de escolaridade: a inter-relação entre ensino, pesquisa e extensão.

CP: Recentemente a senhora lançou o livro “A política da educação superior e a docência nos cursos de graduação em tecnologia”. Pode em poucas palavras definir esse título?

Terezinha Ferraz: A obra analisa a Política de Educação Superior brasileira, com ênfase na política de graduação de tecnólogos e sua influência da constituição da docência. Ao focalizar a docência nessa modalidade acadêmica (tecnologia), problematiza a dualidade da educação brasileira no âmbito da educação superior implícita nos documentos oficiais e chama a atenção para suas implicações enquanto instituinte de sentidos e projeto de identificação das IES, dos cursos e dos sujeitos educativos (professores/as e aluno/as). Para a profª. Drª. e escritora, Neise Deluiz, que assina a contracapa da obra, “o estudo traz um debate rico e oportuno para aqueles que discutem as políticas educacionais no país e a educação profissional como um todo. É uma temática que merece aprofundamento, tanto nas discussões acadêmicas no campo da formação de professores, quanto no campo do trabalho e educação”.

CP: Professora Terezinha, gostaria de deixar uma mensagem para seus amigos e conterrâneos de Serra Talhada?

Terezinha Ferraz: Aos meus conterrâneos e coirmãos deixo aqui a expressão do meu orgulho de ser serra-talhadense. Quero compartilhar com vocês do interesse em ver “nosso pedaço do Brasil” transpondo, cada vez mais, sua área geográfica pela grandiosidade do seu povo e pela conquista de elevados indicadores de desenvolvimento humano (condições de vida, educação, saúde, segurança etc.). Por ser oportuno, desejo que na noite festiva do natal possamos celebrar “o verbo que se fez carne e habitou entre nós”. Que o ano de 2014 seja um renascer de esperanças e sonhos compartilhados, nutridos pela busca da paz, a conquista da união e solidariedade e que seja possível dar mais um passo em  direção a um mundo mais humano e mais justo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *