Palestra destaca a importância do milheto na alimentação

Esta postagem foi publicada em 3 de maio de 2019

Como parte integrante de um trabalho para avaliação, alunos do curso de Gastronomia da Faculdade Senac realizaram o bate-papo “Milheto: do campo à mesa”, com a pesquisadora, engenheira de alimentos e professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Amanda Dias Martins. Ela falou sobre o milheto e sua importância na alimentação, bem como os estudo que realizou sobre os potenciais processamentos dos grãos de milheto.

Amanda realizou a pesquisa sobre o milheto durante o doutorado em Tecnologia de Cereais, cuja tese está vinculada ao Programa de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFRRJ, em parceria com a Embrapa Agroindústria de alimentos. Amanda conta que, no Brasil, o milheto é cultivado há mais de 50 anos, sendo utilizado apenas para cobertura de solo e alimentação animal. O País é o terceiro que mais publica sobre o assunto, no campo agronomia. Há estimativas de que a área plantada desta cultura seja de, aproximadamente, cinco milhões de hectares, equivalendo comparativamente, ao estado do Rio de Janeiro. Para quem não conhece, o milheto ou millet é o “irmão” do painço, porém é mais nutritivo. O milheto é o sexto cereal mais produzido no mundo, e é a base da alimentação de populações da Índia e África, e já é consumido há cerca de dez mil anos”.

A pesquisadora explica que há várias espécies de milheto, sendo as mais conhecidas: Pearl millet, Proso Millet, Finger Millet, Foxtail millet, Little Millet e Kodo Millet. Mundialmente, a espécie mais produzida é a pearl millet. Já o Brasil produz duas espécies: o painço ou proso millet,  e  o pearl millet , conhecida como milheto ou milheto–pérola, devido aos seus grãos terem formato perolado, o qual foi o foco da pesquisadora.

Os estudos apontaram que, em comparação a cereais como arroz, milho e sorgo, o milheto tem menos carboidratos e maior teor proteico. E, em relação aos grãos que contém glúten, como trigo, centeio e cevada, ele tem menos teor de proteínas e fibras alimentares. “Com isso, torna-se uma opção nutritiva e interessante para ser acrescentada na alimentação de alérgicos e intolerantes ao glúten”, diz Amanda. Em 2016, ela apresentou sua pesquisa para Congresso Internacional de Nutrição Especializada & Expo sem Glúten (Coine), levando o segundo lugar do prêmio “Alessio Fasano”. “Isso me deu a oportunidade de conhecer alérgicos e celíacos, o que me incentivou a seguir em frente com a pesquisa”.

Ela explica ainda que o milheto pode ser consumido de maneira similar ao arroz, quinoa, entre outros, podendo ser utilizado na elaboração de um couscousmarroquino, só que sem glúten. Os resultados da pesquisa ainda mostraram a possibilidade de consumo em forma de minipipocas, assim como a produção de farinhas para elaboração de snacks, que foi o motivo pessoal que a fez pesquisar, além de massas, pães e bolos. “O tempo de cocção é semelhante ao do arroz, seja integral ou polido: cerca de 30 minutos”, ressalta.

    


Por: Luciana Torreão

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