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Afrofuturismo é tema de desfile dos alunos de pós-graduação do Recife

20 novembro, 2020

Evento levantou discussão sobre representatividade no mês da Consciência Negra

Os alunos do curso de pós-graduação em Produção de Moda e Styling da FacSenac PE, no Recife, apresentaram desfile ontem (19), com foco no afrofuturismo e na valorização da estética negra na indústria pernambucana. O intuito foi chamar atenção para o mês de novembro, marco da consciência negra.  Além de todo o time de modelos ser negro, a marca apresentada também é de empreendedoras pretas, entre elas, a aluna e estilista da YA! Moda Afro, Vanessa Silva. O evento aconteceu no estacionamento da instituição e marcou o encerramento da disciplina de Desfile, do professor Arthur de Oliveira Filho.

Com o atual cenário de Covid-19, a moda precisou se adaptar e, mais do que nunca, fazer uso de meios digitais para se expressar, movimentar o mercado e provocar discussões sociais. Por isso, a apresentação da turma foi feita em formato audiovisual e vai virar um vídeo.

Para Vanessa Silva, “o mercado de moda afro é bastante desafiador. Algumas vezes a estética não é compreendida pelos próprios negros, pois nossas origens ainda não são conhecidas por todo mundo”. A designer afirma que a marca YA traz “a beleza não eurocêntrica e valoriza a nossa história”.

Todo o desfile foi pensado sob a ótica do afrofuturismo, onde o protagonismo está nas raízes e na cultura negra. A riqueza da ancestralidade, espiritualidade e estética africana está no DNA das peças e coleções apresentadas. No entanto, a cenografia e a iluminação trazem a referência do urbano e contemporâneo. Quem assina a direção de arte foi a aluna e publicitária Patrícia de Jesus. “A pandemia mudou as perspectivas da moda e nossa intenção era trazer a estética colorida, a sobreposição de estampas e a modernidade das linhas presente no afrofuturismo para todos os elementos visuais do desfile.

Para a modelo e estudante da pós-graduação, Thais Prazin, este é um momento importante para a moda e a as comunidades pretas do estado. “Acho que devemos resgatar nossa essência, trazer o negro para lugares importantes da sociedade como cultura, arte, moda, política e ciências. Queremos mostrar nossa cultura, nosso povo, e que temos ainda mais força unidos”, afirma. E complementa: “as pessoas precisam entender que somos história e fazemos parte dela. Enquanto ainda formos marginalizados pela sociedade, teremos que lutar. É importante trazer isso para nossa região e nosso povo pernambucano”.

*Matéria com colaboração de Laís Capistrano, jornalista e aluna da pós-graduação em Produção de Moda e Styling da FacSenac PE.